sábado, 10 de agosto de 2013

COMO EU





COMO EU 
lílian maial




Meus sonhos mudos 
não têm mais vozes 
silentes goles 
de devaneios 
carícias plenas 

gotas serenas 

correm na pele 
pelos meus seios.


Minha nudez? 
Ela é só minha
se não me enxergas 
pelas entranhas. 
Dona das manhas 
onça pintada
solta no mato 
boi de piranha.


Não queiras mágoa
a mim de estátua 
que na verdade
eu sou bem sonsa. 
Eu não sou santa 
e nem sou tola 
ou tua rola
apenas onça.


Cresci sabida, 
sem lei, nem guia 
nasci vadia
pra aproveitar. 
Sou hedonista
sou alpinista
herdeira artista 
do teu cantar.


Já fui cometa
arrastei lágrima 
na cauda inválida
já fui estrela. 
De parco brilho
saí dos trilhos
fui vaga-lume 
de outro planeta.


Hoje sou eu 
que não sou nada
menos que nada
eu sou talvez. 
E em minha saga 
apaixonada 
sou verme e praga
insensatez.


Sou céu e terra
sou mar e areia
aranha e teia
cobra coral. 
Se queres muito 
que eu seja tua
me prova crua 
sem mel, nem sal.

*********

2 comentários:

  1. Belo poema, amiga... Abração para você... Seu blog está perfeito: graça, conteúdo, leveza... Parabéns....

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  2. Achei você novamente. Que bom, pois o Letras e etc parece meio morto. Ao contrário de você, bem viva.

    Em homenagem a isso -- e pela gentil mensagem que me deixou:

    TE CONSUMO

    Te verbivoro
    Coisa sem nome
    Inerme, insone
    Cobra coral

    Tua pele clara
    Qual joia rara
    De rima cara
    Se me apresenta
    ao natual

    Ao invés, cruenta
    Indomável, isenta
    Ao solo arável
    Meu cerebral

    Meu sono tira
    Qual pomba
    qu'expira ante o punhal
    Mas não te deixo
    Te quero viva
    Pois tu és minha
    Inspiração animal

    E inspiro e sorvo
    Qual negro corvo
    Teu seio
    em vão...
    Pois penso no lume
    Que em teu brilho me olha
    Mas ora me olha
    cheia de revolta
    Por ver-se presa
    Duma vontade acesa
    Pela minha escuridão

    Não serás minha,
    Vil vontade apenas,
    mas rainha, sina
    Tua será
    Minha inventação
    De coisas e afazeres
    Selvagens germes
    Indomados e inquisidores,
    Que sabe, aguardados?
    Pela tua cismação

    Te que quero pura
    Qual joia bruta
    No arrozal
    Te quero nua
    Despida de verdura
    Pois a experiência
    É tua veste real

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